domingo, 15 de dezembro de 2013

Flaneunte

Na pré-amazônia inconsolável
um indivíduo-homem flana
atravessando a fibra ótica, os veios reais
e alquímicos da cidade suja.
Põe seu chapéu de lado e desce transfigurado aos
pântanos por onde se vão os dias amaldiçoados
da Creta São Luís, de mendigos e artistas.
Seu único sólido e inflamável consolo é o cigarro.
Conveniente acende um à beira-mar e num vício
antigo e pós-moderno se deleita a criar seu próprio
universo, distante, sem saber-se vivo ou ainda morto.

a Tiago Máci.

Personha

Nem o atraso, nem mais a hora certa
Sou o momento
Pérfido, ofídico
de quem falsamente
não se atém mais a querer.
o cego que consola, remedia
o que ainda o esgota.
E toda hora é lograda ao caos
espreita o verme das verdades impossíveis.
O real,
jazigo,
se faz o maior dos venenos.

sábado, 30 de novembro de 2013

Give me Fire, Fidel!

Malditos sois vós que não abandonais o charco
Nem percebes o pântano em que te atolas
Aiatolás, vos atolais!
Entre ave-marias, ao que são ateus
Entre a linha do caos que ainda não se rompeu -
mesmo o cigarro sendo convosco -
perguntaram:
Onde foi Prometeu? Onde foi Prometeu?
E uns com a pressa de seus fogos de palha correram
a rezar uma ave-maria diferente
uma ave-maria nos florões de Havana,
onde Fidel é conosco e bendito é o fruto
do seu labor, o tabaco.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Emana esta madrugada matéria tão viva/
Chega a ouriçar-me os pelos
e o coração ribomba/
há nela tanta beleza e confluência do novo em passos tão antigos - embora nunca antiquados/
parece-me que perecia (eu) TANTO, faminto dela por TANTO tempo, que agora a como voraz; não desperdiço
nenhuma sutileza, muito menos as suculência dos humores mais viscosos de suas entranhas/
precisei (eu) caminhar por dias como aqueles, com aquele cáustico da ansiedade, para descobrir só agora o que o sono encobria ?
Naquela madrugada sonora e insone...alimentei-me da noite.

errabundo cristiani

Muito embora meu coração apóstata desminta tais palavras do céu,
sempre  me apanho resgatando do fundo, nestas horas, alguma gota - nem que me reste a última - da minha autocompaixão. E tenho dito: amém !

de maneira que assim faz o cristão...
no culto que só diz do homem e do autocomiserar-se
aprende, entre as várias facções, a sublimar a dor e o que cai em acalanto.
da canção da noite de sua própria angústia e provação extrai o miraculoso espírito
benfazejo e piedoso conhecido não só de deus mais de sua horda de anjos e santos apostólicos
naquele paraíso decaídos para todo sempre onde todos querem estar.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Telúrica (II)


teia, terraço, trilho
caminho em direção ao mundo
regresso as ilhas abissais
ao solo concreto das tuas ancas frutiformes
querendo ser o fruto e o alimento dos teus seios
encher de mel a tua taça de tédio
fazer orbitar "teu olhos que não veem"
e os meus não tocam/ toca no fundo essa canção
e dos escombros do meu peito quase seco
transmigram todos os versos que não cantei à Terra, telúrica !
Mas a ti.

sábado, 25 de maio de 2013

cashmire

um esfera desliza....
logo abaixo da sua altura e do fenomenal livro
que a apoia, um paisley felpudo./ Logo acima
a imatura e incompreensão do ator de muitos versos
mal urdidos, de uma vida rastejante e mal vivida
à caça de suas tetas, ou quem sabe de um ínfimo prazer
antes que morra.

Telúrica (I)

O mundo apressa a mim ser o que eu não sou
e meu próprio homem se apressa em criar um outro indivíduo
que talvez seja (eu) abandonado, (eu) mesmo ancorado por
terras que desconheço.
(?) Sou um que se senta e aguarda outro que o venha navegar na maré cheia, no leito das perdas, na cama do fausto que aqui dorme / se espraia na noite marrom do teu amor telúrico, onde insisto em desembarcar.

em condicional...

Por mais que o recolhimento seja a mim sina
sento onde possam me ver, onde meu universo congelado
tenha ao menos a contemplação do dinamismo de quem passa;
tenha a folha, a tábua rasa por onde se escrevem histórias de pulsão
que não sinto, nem ao menos o desejo de levantar e andar.
Sejam então por mim e nisso me refletindo tenho a certeza equívoca de ser
a vós todos.

domingo, 28 de abril de 2013

Orubarana

O que me dói é te sentir no cerne onde te descubro tão provisória.
Racha-me o peito, senhora, projetar-te num quadro tão transmutado, imenso das várias deusas que és - Oyá, a sacerdotisa de Milo, a Orubarana dos lençois. Minha afogueada Calipso, não me tire o norte, só me traga a sorte de ser também mil desses deuses contigo.

sábado, 20 de abril de 2013


antes as coisas davam um nó ao meu redor
hoje de repente o nó foi para dentro
e fundo me mostra as minúcias do que eu sou
e deixo de ser por esse mesmo defectível
que me amarrou, atou meus pés por anos.
Hoje vejo que a solidão e a desgraça não me foram
mais que prelúdio, a que me agarro e persigo, pois também a noite, a sombra
me levam a um entendimento claro de mim só.

sábado, 13 de abril de 2013

Fecho os olhos e a única imagem - minha mente acode -
é teu rosto ao meu,
Tua testa sovando o meu nariz e teu sorriso oblíquo-sinuoso
demostrando tua timidez colada ao meu queixo.
Desvio o cigarro, te colho da terra - fruta que és - e
tomo teu corpo apaixonadamente por inteiro.
Então logo "desperto" e sentimental - eu que há tempos não era
nem um nem outro - vejo que nada foi mais que um delírio,
uma invenção de amor do meu peito menino,
Não sabe sequer
querer-te objetivamente, alcançar-te em beijos doces e cálidos, que
valessem o amargo da minha desgraça."

Ad Vento

Sento no morro de onde vejo a tempestade se aproximar à essas "arrudiações"...cinzentas, natalinas e acadêmicas do "solar ilustrado" do Maranhão...sentindo o mar de longe, nem sabendo quantas daquelas procelas ao infinito da perda, da dor concreta do arborecer germinal de um filho pacato do solo me faltam à vida. Dai a conclusão nada calculada, mas sim experimentada, de que viver, então, seja este perene naufrágio nessas águas que nos levam a nós mesmos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vênus ! Cadê minha Vênus ?
Para que o cheiro da flor das laranjeiras do jardim de minha mãe
não seja igual;
Para que as flores do caminho não passem por mim sem serem percebidas;
Para que a pedras incontáveis dessa piçarra miserável - nosso chão precário - sejam os beijos infindos que levo indo por eles mesmos carreado;
Para que a lua, o céu, o sal, o sol...e todas essas outras bobagens não me soem piequices;
(Pra) que eu veja verdade no amor, sentindo que o tempo da solidão se foi...
e me deixou a sós contigo, minha Vênus no céu e no peito.
Pereço nessa manhã louco por ver teu corpo vívido e hidratado
caminhando linda como os frutos férteis e as verduras
nos capinzais. Talvez, os lábios não permitam que eu te queira assim, ao que eu me obrigo a dizer-te apenas "flor". Mas sei que és fruta, serena e macia como tua pele que me fere o olho antes mesmo que a toque. E todo meu sentimento resume-se a desejo e posse da tua presença e afeição. Ah, meu amor, como pudestes em poucos dias tornar-te aos meus olhos tão pura e indefectível ? Só os tolos dirão que isto é paixão.

sábado, 23 de março de 2013

unguento

Na madrugada morta sem o véu das côres de Prometeu ( orixá do fogo, seguindo o sincretismo católico) e sem as cores vermelhas de mel e urucum socados na cabaça;

 na cabeça insossa, inodora, incolor e insípida;

só as mesmas trovas relinchavam;

Na carruagem a que seguia uma tropa_na boleia de um avião: vespas de motores e picada fatal saltavam de paraquedas_todas elas traziam a mais das cores de um universo que deixamos de habitar.

Seu Vitor

Se o fiz bem > fiz sem sabê-lo > cresci sem tê-lo ao menos de lembrança
> e não foi nem desconfiança nos anos que olhei acima, olhei a mim > sem
ter uma expectativa respondida - sentei aqui > um baluarte, um membro rijo.


colônia cardíaca

Quer-se-á definir o princípio do amor
Quer-se-á encontrar (paz e equilíbrio)
Ora, (eu), que de comum não tenho
nem a vontade de permanência e per-
petuação, descubro que há outros enig-
mas para me envolver - ou ao menos
questionar-me: o princípio do amor são
a posse e o usufruto condicionantes ?
Nesse momento o cismo suplanta a es_
cala richter e as paredes desabam no in-
ferno de flores dos poetas. 2, 3 lances de
infantaria e agora pelejam um contra o
outro em prol da 'individuação'. A 7 pal-
mos, na superfície, as almas experiment-
am o desemprenhamento - talvez o des
parimento - do homem, sendo forçado
agora a viver numa 'comunidade' de a-
mantes solitários. Perguntem-se: o que
será da morte daqui a um tempo ? Um
bem coletivo, uma cova comum de ind-
igentes ? Não há mais cura, a vida foi tom-
bada pela caricatura do "eu com-tetas".

quinta-feira, 21 de março de 2013

A moela

O vapor iônico embaça a superfície do box do banheiro
(de gotículas / de motel ).
Alguns minutos de profundo gozo: um corpo refrigerado e escorregadio sai da neblina.
Sua silhueta flutua numa cortina hipnótica sem cores, já que se embaraçaram num movimento etéreo.
Prostrado num vazio sanitário o "homem" que pensou amar aquela visão se levanta e sai
- sem dar descarga - indo de encontro ao quadro da solidão real, inimiga do sonho que acabamos de anular.
E tudo desce pela garganta, como aquele engasgo. Tudo desce para a fossa do esquecimento.
Hoje já sem dúvida: nunca amei, apenas A Moela.

segunda-feira, 18 de março de 2013

nada d'eiras

fomos postos num quadro interrogativo, num quarto sem sono, numa cama sem leito
onde me espalho, espelho e não tem ar que me condene a uma epifania.
E veja bem !catarse é tudo isso que o homem que nada vê de esperançoso nos nossos rituais "tacânhicos" do dia quer - ser o que é
um pouco de sublimação, sem negar um tantinho, uma restinga, uma "nêsga"
das vibrações psicodélicas e mediúnicas, porque seria um assalto.
Vamos sorver o caldo da nossa condenação! sucatear!
cicutear o infame da nossa vil prisão!
Porque se Deus inventou o carma, aqui nós produzimos
a 'desreligião', a conexão com o qualquer que seja "bem doido", que de tão brusco é
religário, "à não sei o quê", "a não sei o que é". Eu não sei o que é.

Cogito

A tentativa irrefreada de escrever entre meus [párias] permanece nesse lance de olhar periscópio sobre o mundo; tentativa de percepção dos menores zelos, dos pequenos engenhos de meia-boca da vista; um olhar para o céu, para o verde vibrante das trepadeiras dessa tarde rastejante.

Se não fosse isso, o quê ? Recorreria (qualquer um) àquela segunda opção...
alternativa óbvia...Falar de si mesmo e das próprias desventuras de "amor" e aí chegarmos em um ponto fulcral:

Ai, o amor ! [vocábulo sórdido], artigo de prateleira...essa semente roxa a nos oferecer nada além que dor de cabeça...assim como quem traga permanece sendo esse excesso de expetativa e celulose.

Por isso, preferi sê-lo, invés de comprá-lo. Sê-lo "da cabeça aos pés". Porém, (sem ser viável a mim deixar de objetá-lo e sem deixar essa ponta de desperança - o barato propriamente dito -, desconheço)

Escrever continua sendo essa tentativa de amarrar em novelos pensamentos e desejos de legitimação.

Eu me inscrevi no mundo, logo, sou....sem precisar provar. Cogito.

Escrevo?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dos antigos

A fim de que saibamos dos antigos: flutuação
a fim que nos aproximemos dos antigos: culturalismo sem força
distraído e que mal saiba de si.
a fim dos antigos: ócio...um disco toque e todos calem !
ócio ou {ossos dos bons malditos, dos marginais velantes
 da nossa tremenda insinuação do nada}?
E eles todos assinam a receita: sorvam o caldo da nossa transusbstanciação
e vos tornareis um culto vivo a velhos túmulos;
sofram a pena dessa mutilação;
paguem o pedágio da covardia e VIVAM [.]
VIVA ! a pré-história da nossa escassa
insatisfação.

[gaveta]

Há tanta poesia na gaveta!
Mal vejo todas daqui
de_ luneta

Há tanta alma sutil no planeta
_que mesmo que passe um cometa_
mal comeria o fogo, a calda-caramelo
[cubo de plástico]
da nossa facêta_

Poesia doce, doce-poesia
me leve em asas translúcidas de abelha
me deite no primeiro boqueirão
e o mar do mal saberá me responder
(precisão)
por que te persigo.

beira-sangue


Minha confusão beira-sangue
beira-mar de todos os dias

de uma dúvida prontinha
que sempre aporta por aqui.

beira do Brasil,
oceanos te lançam a outras cercanias

cintura do equador e ao espaço adjacente, circundante
Não te troco nem por mar, nem morte
nem pela vida, que me afogue.









Seu Vitor e Tiago Máci.

domingo, 10 de março de 2013

Bicho de Cú

as palavras
pequenos dardos
talvez inflamados
voam com sede
ao poTe de querosene
BUNG, BENG, BANG
o caldo inflamado irrompe
e logo não há mais paredes de barro
pasmem-se! pasmem-se!
eu dormia, eu sonhava
não há fogo, não há brasa
era só um estirão imóvel
incógne
incógne
luxuriosos, porém, sem carne
só eu de vivo, eu de morto
de assombro, conservo um estômago
que ainda dói
que ainda vivo
tem fome, e não pode comer
ah, meu espírito de abundância
não se esquece desse deserto
a que me trouxe Moisés, e não só Moisés
como os 40 ladrões e os 300 de Gideão
e o dilúvio e o anticristo, e o próprio cristo anti-humano
anti-gente
ah, meu instinto
meu sol,
meu luar, meu calabouço
até meu mau supera tamanha cristantade
puta sociedade, aldeia de tolos
campos tão ávidos de chuva ou
nada que venha do céu e sim do gozo telúrico
encantamento de água, de mato
de assopro lambendo os ouvidos
de um homem com seus pruridos e seus
roçamentos de BICHO
DE CÚ.

sábado, 2 de março de 2013

Assepsia

um banho - um mudar de vida
a assepsia encerra a cada 6 ou 48h
um ciclo de renovação
(ainda mais pra ti, Moesto
que magoa - passa
que maguapassa
"convalesce - estiola")
Só por nada
Só porque é bom
imprimir no banho
uma nova canção
um novo rubor de face e de corpos
lavados
(infeliz imersão
grata e jubilosa no Itapecuru dúctil
do chuveiro)
Se há - eu louvo
o deus do Maranhão

"Homem-Cibuí"

Devo aqui demonstrar o (meu) poder.
Haverá palco para as pequenas potências ?
(Eu) escrevo em um blog gratuito
(Meu) pai paga as minhas contas.
E (meu) poder não vale o que (eu) sobrevivo.


ou no horizonte não tátil e áspero - o que é paradoxo -
dos sentidos (eu) colonizei uma selva, (eu) plantei uma semente ?
Há pergunta dentro da pergunta ?
(Minha) mente faz perguntas dentro das perguntas e isso anula minhas respostas
então, (eu) só escrevo.

(  ) passava a limpo um texto pronto, mas agora (  ) escrevo - foda-se.
travessão dentro do travessão e a verdade será simultânea ?
Existe em si e só em si, e é, enquanto o "não é" não é ?
São perguntas, no entanto, o que hoje (  ) sinto é que

(Eu) trouxe um bocado de vida por trás da vidraça da percepção
ao fundo dessas ruas, desses pequenos ou mega cosmos de informação
(eu) nado no orifício fundo do ácido
(meu) corpo vaga carreado entre ladeiras de chão e eu de ferro
(eu) de engenho maluco de cientista doido observo que (minha) existência
tornou-se arte e impura da observância
(meu) estrangular da voz
(meu) fóssil oxiúro e high técnico
que mora no ouvido
( eu ) cabra cega gado magro sem pasto
"sem tetas" e "imundo"
homem-cibuí.





T054


tanto tempo de cabeça baixa no T054 me querem vomitar
estou no império do meio-amargo da minha doce condição de fidalgo
do tempo que cada hora me engole a razão
estou saindo de circulação, mas o T054 não baixou
nem minha engrenagem arriou
estou passando o tempo e sou passado
sou também a parada que esse busão do mundo espera.
T054

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Seda Primordial

O sabor da palavra gosto da manga atual
ainda verde apanhada na estação primeira
no tempo - sem tempo - postergado
do sabor verdadeiro, pitoresco
da fantasia imatura
tenra e reduzida infância, musa juvenil
que dantes, muito dantes
em hábito cego e normal
cozia e desfazia
cozia e desfazia
costurava iletrada, analfabeta
a seda primordial
face dupla da metáfora.
Dichava ao bel sabor
cada grama de rima e
prensada métrica
matemática, metronímica, compasada.
víamos, contemporâneos, colegas, companheiros
o todo rítmico
universo cada vez mais rarefeito
encarado de peito
por nossa poética da ignorância
ou ausência de sentidos.
E os velhos com isso ? Nem tão velhos assim

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

síndrome ou mal conjugado

testemunho com meus olhos calmos -
porém, pasmos - a torpeza dos açoites
mas, apesar de ser coletor dos punchs desse meu
destino desdichado, nesses ligeiros minutos
que atropelaram o instante da derrota
não me deixei chocar...
enquanto...o nó na garganta -
enforcamento -
estrangula a raiz submersa da vontade
renegada, irrealizada.
enquanto...o soco na carne do rosto palpita
geme, pigarreia, grunhe.
enquanto...a língua trava
enquanto...o corpo treme
enquanto...as mão solidárias,
de nervos cordados cada vez mais doentes
pareciam avisar-mi maior do destino
desdichado...premente.

(nenhuma dentro, Moesto
então, nosso jeito é por para fora)

enquanto...o mal que te assombra
te fode.
enquanto...todas as minhas más sortes
todas elassimultâneas e paralelas
dançam juntas no coreto
enquanto...eu as mal posso interpelar.
enquanto...um exercito passa
por enquanto...eu nunca aprendi a marchar.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Andar, moesto, andar
andar a esmo
sem no cerne da consciência
algo a pensar
só lamentações
escárnio de si mesmo
e não entender
e não ser
o que se quer.
Ser só insatisfação
e o reflexo
imagem dele
nesse teu corpo inchado
e flácido
essa tua espessura
que parece mais um andor
um ataúde grotesco e imbecil
vocabular
por não ter o que falar ?
e fala
Eu realmente não gosto do que vejo
daqui dessa carteira, erguida por um andar
e meio de concreto e mais uma imbecilidade de informação
sem propósito no texto que se propôs a ser brilhante
em pleno bloco c, cidade universitária
e alguém te perguntou ?
lembro da tua caminhada.ridículo.
caminha, moesto, caminhar
a esmo
e tu não chega
o movimento não te tira a paralisia
o mundo está parado e nem aquela
lágrima pendida e engolida pela vergonha
cai mais
pois já não faz sentido, nem medo
e a tua amargura passou
não recordo o que me sucedeu
já não sei por que tão triste
em punho riste o lápis rasga o
papel, mas não sabe o que escreve, apenas anda
anda, moesto, anda
caminha pelas fibras, rompe-as
a esmo.

Morro


Eu morro, porra !
Afinal, estou vivo
Já estes dois palmos
que não vês
a frente do teu nariz
te condenam (à vida)
- faça esta observância
entreparentesiada -
Eu morro, porque vejo
eu esfacelo, choro
eu nem estou aqui
Não por acaso sou Moesto
E como se não fosse
Ainda tenho que aguentar
Acusações, provocações.
O que tem demais se aqui escrevo
prosa em forma de poesia ?
Isso é só a prosa, leviana,
travestida de poesia.
(e ainda há quem não perceba o falo)
Mas, tudo bem, não vou sustentar ignomínia
inexistente.
Não há e some
como os vapores
da não insigne existência
de quem me fere.




Prefácio a Jonatas Barbosa

Que maravilha, Deus !
How great thou art.
Por em nosso meio
Na galaxia central
Travessa estelar com o Reviver
Num cantinho do João de Deus
sujeito tão ator,
Face respeitável desses nossos nutridos
destruídos e corrompidos ideais.
How great thou art !

Morro, Jonatas
e não chego nem nas tuas beiradas
Ah, que me sobrassem ao menos as beiradas
Mas o que significam saber as beiradas ?
Margens, Jonatas
Margens magentas
Cor de rosa e Púrpura de realeza
Cores de nobiliarquia
que de longe me visto,
reles, dos teus reflexos.
reles de tamanho
e susto, assombro, surto
arroubo
tamanha tua nobreza.
How great thou art !

para que isto não pareça um salmo
à nossa descendência imaginem coisas
venho nessa metade final da ode me explicar
Afinal, nem me quis aqui tão pomposo,
mas talvez me reste o pieguismo, o bufonismo dessa loa
e me  aquiete ao meu papel de cego amante
e súdito da arte
e da poesia, por isso (dois pontos):

Tu és - evitando o barbarismo de chulas expressões denotativas de coito -
Foda, Jonatas Barbosa.
Ou melhor, desculpa !
Bravo, bravíssimo !
Sensacional, sem igual
e sem - é claro -
nenhuma rima com pau.
salvo todo resto acima,
isso é mais do que claro.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Rolinha só não faz verão


No meu lugar o tempo nunca esfria
Quando muito úmido ele fica molhado
Ou na dúvida entre precipitação e estiagem
Mormaçado
Mas nunca frio.
Assim perdida e louca nessas tão poucas opções
Minha puta ornada e divinizada por tantos cornos
(ou) me faz soar (ou) ela mesmo se fica 
molhadinha.
Então, do que espero e como, precocemente
avanço e concluo (dois pontos):
Nas de abertas pernas ao mar
Terras do Maranhão
Imagine só...
Uma ilha encharcada e cheia de tupinambás por todos os lados
e nenhum é "antropófago"?
Uma enorme transa, meu deus !
Uma periquita - ele respondeu -
sai do continente
E molhada
E ardente
E pronta para dar
Nunca deu a mais do que pode.
E no mais da verdade
nunca deu

Porque ninguém comeu...
Porque ninguém comeu ?
Ninguém comeu ?
[...]
só eu.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Beatus Corpus in Carnavalis


não fui nada nem desconfiança esses anos todos
e além do mais em severo stop nos mesmos anus
olhei
acima sem ter expectativa nenhuma
respondida.
           então sentei aqui
           um nada
este nada.
           que tal
           este baluarte
           este membro rijo ?
sentei ele aqui no blogue
           (in)falsa lida
           (um) falo erguido
           gozo tardio e
           insabido de si mesmo duro
se fiz, fiz sem sabê-lo !
cresci sem tê-lo!
Não julque nunca
o meu cabelo
           urdi tudo inquieto
           no meu desespero
           em Santa Paz e Medo
           - Espera ! Paz e Desespero ?
           algo errado aí, mas não importa, nada importa -
           tive que pari-lo
           afinal, Beatus Corpus Morritur Virgines de Literatum
           e até o papa renunciou esta semana devido a total falta de sentido.

Poesia Calada

O muito que sinto
é o muito que tenho a falar
Sentir não é dizer
e o muito que se sente
é o pouco que sem tem para dar

Dor no peito é calada
é matéria
é viva

é palavra/pomba
pronta para alçar

Voo,
Sinto calado
o muito que sei,
mas o muito que sinto
é vetado
pelo pouco talento que herdei.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Virtude mutante
Multidisciplinaridade do meu ser
Arte de ser o que há pouco não será mais
E nem mesmo recordar o que era dantes
Tomar para si o mundo
Experimentá-lo em todas as suas nuances
E ver além
Esperando o que de melhor me espera
Naquela visão embaçada
Pelos vapores da próxima estação

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tacanha


Lavar os pés,
Escovar os dentes
Pôr-se na horizontal -

Tornar-se travessão no meio do mundo
- corpo sem reservas -
Gastas pelo mesmo dia
Que daqui a horas
Desprega, quando no horizonte replica:

“Põe-te na vertical”.

A vida, nem um ato, nem um plano
A cada vinte e quatro horas
Uma ordem direcional
Arbitrária e sem sentido:

Lavar os pés
Escovar os dentes.

Ereção O(ra)cular

Contenção do movimento
paralisia para fruição exata
da beleza
da beleza ou escrotice de cada um.
de cada uma coisa por vez
a cada hora que chega
que passa

passou !

O mundo se vai enraivecidamente
numa frequência
de duas janelas por segundo,
o que me restando um nada
um ônibus !
corre arrastando visões
irriquietas,  caminhantes
falsárias de uma projeção
perdida, perdida
sem zero contemplação

Um para quê me resta.
Para pormos culpa ao olho ?

Ora, que mais injusto que isto:
por culpa a genital tão distinto do corpo, o olho
Que nos permite a nós gozarmos sem fricção ?
Culpada e ingrata é a imagem
rebelada em nossos dias
com tanta profusão,
enquanto pobre olho
à volúpia seu corpo sentenciado,
de velas orbitado
de mover sinuoso,
incessante.
de tempo vibrante
de templo brilhante de luz

Oh, que luz ?
Oh, Queluz ! porque esquece ao olho
e põe-te a vista  sombreada de ideias e imagens
nauseantes, em eterno trânsito ?
Roça
Roça
e não há que nos ponha de pé.

desse jeito não há como o ponha de pé, o olho
Até que pare enfim no sono
Até que em fino sonho pare
e vislumbre
a estética/estática fumaça daquele churrasquinho
A condensada ansiedade, parada de ônibus

Meus olhos gozaram.
Gritei:
Pare agora, visão vagabunda. Pode parir !


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

7:24

Eu passei da hora, mãe.
Perdi o tempo.
Passei um pouco dos anos
E meu século em oito passos me deixou pra trás.

Ora, é claro - penso que ela sabiamente me indague -
para um nascido em 92,
é nítido esse rastro do bom novecento,
Tempo em que não estávamos passados,
ou pelo menos iludidos que não.


Antes que mau com U e com L
 me julguem pelo anacronismo, que o eu lírico prossiga.


Passei da hora.
E cheguei tarde, tia
Bença, vó !

Não adianta, ele continua aqui.

Acordei 7:24
aos lances de briga
de briga e de baldes a voar.
o que talvez não debalde.

Depois de um banho de chuveiro -
no dia em que escapo do balde -
a retardatária saída.
Novamente meu ir diário pro mundo
Molhado, despenteado, desdichado.
como "un bardo que el destino lo maltrata duramente"

Desdichado e - recorde - sempre digressivo.
Pois tudo isso digressões...digressões !
Pudessem elas me fazerem menos atrasado
Pudesse eu acreditar em atraso
Se o que tenho é a hora a certa,
O TEMPO.








sábado, 2 de fevereiro de 2013

J.B

Que ser absurdo ! Que ser absurdo !
Uma verve ontológica do caos !!!
ah, tirem-no ! atirem-no!
Desejo concreto, ideia límpida
Pensamento ser
esquálido
do que seria essa vida.
Tão prático não seria então morrê-la ?
Ah, tirem-no ! Atirem-no !
Entre tantos muitos personagens ensejo
um eu que só é a mim mesmo
Um "Meu EU", ou, "Eu MEU"
Tirem de MIM !
Lição de enorme contista
que enormemente bêbado seria mais claro que EU,
obscuro e sóbrio, poetas do meu tempo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Vedes, Moesto.

passos de menino me conduziram a isto
(ventura, amor, verve)
desejo irrealizável,
parecer proscrito que foi pro mundo sem devolução,
promessa que se desfez
em negação se fez
(desventura, ressentimento, solidão)

Mas...Mas...Mas...
até nisso excêntrico, ilógico...
o que há de mistério se nada insólito, tudo lúgubre, e impresso na face
e o óbvio ?

Relutas, no entanto, qualquer um na esquina saberia sem arroubos zeros de genialidade, Moesto:

- aquele moço estranho, inchado, flácido e empapado (vedes)
não parece lá muito certo.
estranho, ele, né ?
talvez, um louco!
(vedes) caminha e parece que não pisa onde quer
sempre um desvio a contra gosto do pé.

um dia cai e nem deixa história a contar.
História que amar o desamou.
E o que diremos ?

- Por certo, Moesto, que morreu aliviado
do mundo retirado.

dissolveu-se em (ventura, amor e verve) que quis.
raramente Infeliz.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Lesa Ticket

uma carreira...segue-se uma carreira...descambando sem pausas...sem escalas...escalando...perdendo o tempo...esperando...algo...não observando...tempo...maldito...cumprindo sina central de  passar...passando...encontrando-o...só na próxima hora...distraída....para que eu perca outra vez...como perco...razão...razão e tempo...juntos...não se perdendo só...nem só os perdemos...como chance e vida...difusas e menos compreendidas...sem existir mais...no tempo...só o tempo...sem roteiro...sem palavra....sem cantar...canções do imediato...não mais notado...FUDIDO.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Homeopatia

Palavra é um parto precedido desses reviramentos de bucho e tripas...
Curioso que sinto-o agora, no entanto, sem que nobre porra alguma seja vomitada aos jatos nesse reciclamento pardo...Nada, nem sombra indicial de "artismo" ou verve caótica de atormentado (genial, romântico solitário)..............................................o vazio só me vale a conclusão:
Se ARTE é para quem necessita - e serei infiel agora -, tu não és poeta, Proceleu;
Nem tu, Gullinha....Sois qualquer coisa, por exemplo, entre pastor evangélico e dono de bar, para que eu peça: só uma dose, por favor, que hoje não tomei minha píula.






A homeopatia reconhece os sintomas como uma reação contra a doença. A doença é uma perturbação de uma energia vital e a homeopatia provoca o restabelecimento do equilíbrio (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Homeopatia)