sábado, 15 de agosto de 2015

Como se traduz o tempo?
Vejo que há um gosto claro de intuição
e um amargo simultâneo,
vivo de frustração.

Como pudera ser ?
se o anzol volta vazio
E o estômago cheia de saciedade?

Não nos vem nada na linha
e vem
vem a revelação incostatada mesmo
De um brio, um fragor

Solúvel no ar
Solúvel na eras
Mas irremediável ao sentido
arguto de um delírio.

Não se “traduz” o tempo. OK.
Ao menos sem um mínimo

de insanidade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Precisamos ainda alcançar uma melancolia aquática
uma tristeza sem apatia
que não dos dê esse repetido gosto de entardecer
febril e leve
a nova angústia que descobrirá mares
revisitará ânforas
de gratidão
e delicadeza
e não terá mais o blues como meta
aquela que despenderá um miríade de tons
em mix de cores
um sofrer que requer, agora
uma beleza exótica, tão pronunciada
e de tão inédita, ameaçadora
talvez paradoxalmente hilária [.]
de fato veremos morrer aqui o tédio
do que só conhecíamos o lado consternado
tremeremos de susto
com os timbres inexplorados pelos tímpanos
e ao fim, inéditos
executaremos nossos largos
de dor e agrura
com as garras de monstros adoráveis, dizendo:
vieram até nós as trompas, os oboés e os fagotes,
em sonoridade justa
dispensamos de vez, ou por agora, o som do velho e oco Stradivarius.

Excerto de longo diálogo entre Deus e Fernando Pessoa.

[...]
-
O que está posto não foi colocado.
O que há tanto tempo é aconteceu.
Obedeceu aos desígnios do tempo
Nunca deixou de ser produto daquilo que o precedeu
-
Portanto, não poderá o que ainda vêm
se fazer por sí mesmo?
Não será gestado em sua própria razão e substância?
-
A única matéria na mão do tolo, Fernando,
é, por certo, o presente
e o sonho.
Enquanto as rédeas,
Estas cavalgam no seio do tempo.
[...]
Alguém atravessa o corredor e copo estilhaça ao pé da porta

A reza

A reza aranha a vela
A velha acende e espera
A espera arrasa a velha
A vela arranha a reza