sexta-feira, 26 de julho de 2013

Emana esta madrugada matéria tão viva/
Chega a ouriçar-me os pelos
e o coração ribomba/
há nela tanta beleza e confluência do novo em passos tão antigos - embora nunca antiquados/
parece-me que perecia (eu) TANTO, faminto dela por TANTO tempo, que agora a como voraz; não desperdiço
nenhuma sutileza, muito menos as suculência dos humores mais viscosos de suas entranhas/
precisei (eu) caminhar por dias como aqueles, com aquele cáustico da ansiedade, para descobrir só agora o que o sono encobria ?
Naquela madrugada sonora e insone...alimentei-me da noite.

errabundo cristiani

Muito embora meu coração apóstata desminta tais palavras do céu,
sempre  me apanho resgatando do fundo, nestas horas, alguma gota - nem que me reste a última - da minha autocompaixão. E tenho dito: amém !

de maneira que assim faz o cristão...
no culto que só diz do homem e do autocomiserar-se
aprende, entre as várias facções, a sublimar a dor e o que cai em acalanto.
da canção da noite de sua própria angústia e provação extrai o miraculoso espírito
benfazejo e piedoso conhecido não só de deus mais de sua horda de anjos e santos apostólicos
naquele paraíso decaídos para todo sempre onde todos querem estar.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Telúrica (II)


teia, terraço, trilho
caminho em direção ao mundo
regresso as ilhas abissais
ao solo concreto das tuas ancas frutiformes
querendo ser o fruto e o alimento dos teus seios
encher de mel a tua taça de tédio
fazer orbitar "teu olhos que não veem"
e os meus não tocam/ toca no fundo essa canção
e dos escombros do meu peito quase seco
transmigram todos os versos que não cantei à Terra, telúrica !
Mas a ti.