sábado, 23 de março de 2013

unguento

Na madrugada morta sem o véu das côres de Prometeu ( orixá do fogo, seguindo o sincretismo católico) e sem as cores vermelhas de mel e urucum socados na cabaça;

 na cabeça insossa, inodora, incolor e insípida;

só as mesmas trovas relinchavam;

Na carruagem a que seguia uma tropa_na boleia de um avião: vespas de motores e picada fatal saltavam de paraquedas_todas elas traziam a mais das cores de um universo que deixamos de habitar.

Seu Vitor

Se o fiz bem > fiz sem sabê-lo > cresci sem tê-lo ao menos de lembrança
> e não foi nem desconfiança nos anos que olhei acima, olhei a mim > sem
ter uma expectativa respondida - sentei aqui > um baluarte, um membro rijo.


colônia cardíaca

Quer-se-á definir o princípio do amor
Quer-se-á encontrar (paz e equilíbrio)
Ora, (eu), que de comum não tenho
nem a vontade de permanência e per-
petuação, descubro que há outros enig-
mas para me envolver - ou ao menos
questionar-me: o princípio do amor são
a posse e o usufruto condicionantes ?
Nesse momento o cismo suplanta a es_
cala richter e as paredes desabam no in-
ferno de flores dos poetas. 2, 3 lances de
infantaria e agora pelejam um contra o
outro em prol da 'individuação'. A 7 pal-
mos, na superfície, as almas experiment-
am o desemprenhamento - talvez o des
parimento - do homem, sendo forçado
agora a viver numa 'comunidade' de a-
mantes solitários. Perguntem-se: o que
será da morte daqui a um tempo ? Um
bem coletivo, uma cova comum de ind-
igentes ? Não há mais cura, a vida foi tom-
bada pela caricatura do "eu com-tetas".

quinta-feira, 21 de março de 2013

A moela

O vapor iônico embaça a superfície do box do banheiro
(de gotículas / de motel ).
Alguns minutos de profundo gozo: um corpo refrigerado e escorregadio sai da neblina.
Sua silhueta flutua numa cortina hipnótica sem cores, já que se embaraçaram num movimento etéreo.
Prostrado num vazio sanitário o "homem" que pensou amar aquela visão se levanta e sai
- sem dar descarga - indo de encontro ao quadro da solidão real, inimiga do sonho que acabamos de anular.
E tudo desce pela garganta, como aquele engasgo. Tudo desce para a fossa do esquecimento.
Hoje já sem dúvida: nunca amei, apenas A Moela.

segunda-feira, 18 de março de 2013

nada d'eiras

fomos postos num quadro interrogativo, num quarto sem sono, numa cama sem leito
onde me espalho, espelho e não tem ar que me condene a uma epifania.
E veja bem !catarse é tudo isso que o homem que nada vê de esperançoso nos nossos rituais "tacânhicos" do dia quer - ser o que é
um pouco de sublimação, sem negar um tantinho, uma restinga, uma "nêsga"
das vibrações psicodélicas e mediúnicas, porque seria um assalto.
Vamos sorver o caldo da nossa condenação! sucatear!
cicutear o infame da nossa vil prisão!
Porque se Deus inventou o carma, aqui nós produzimos
a 'desreligião', a conexão com o qualquer que seja "bem doido", que de tão brusco é
religário, "à não sei o quê", "a não sei o que é". Eu não sei o que é.

Cogito

A tentativa irrefreada de escrever entre meus [párias] permanece nesse lance de olhar periscópio sobre o mundo; tentativa de percepção dos menores zelos, dos pequenos engenhos de meia-boca da vista; um olhar para o céu, para o verde vibrante das trepadeiras dessa tarde rastejante.

Se não fosse isso, o quê ? Recorreria (qualquer um) àquela segunda opção...
alternativa óbvia...Falar de si mesmo e das próprias desventuras de "amor" e aí chegarmos em um ponto fulcral:

Ai, o amor ! [vocábulo sórdido], artigo de prateleira...essa semente roxa a nos oferecer nada além que dor de cabeça...assim como quem traga permanece sendo esse excesso de expetativa e celulose.

Por isso, preferi sê-lo, invés de comprá-lo. Sê-lo "da cabeça aos pés". Porém, (sem ser viável a mim deixar de objetá-lo e sem deixar essa ponta de desperança - o barato propriamente dito -, desconheço)

Escrever continua sendo essa tentativa de amarrar em novelos pensamentos e desejos de legitimação.

Eu me inscrevi no mundo, logo, sou....sem precisar provar. Cogito.

Escrevo?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dos antigos

A fim de que saibamos dos antigos: flutuação
a fim que nos aproximemos dos antigos: culturalismo sem força
distraído e que mal saiba de si.
a fim dos antigos: ócio...um disco toque e todos calem !
ócio ou {ossos dos bons malditos, dos marginais velantes
 da nossa tremenda insinuação do nada}?
E eles todos assinam a receita: sorvam o caldo da nossa transusbstanciação
e vos tornareis um culto vivo a velhos túmulos;
sofram a pena dessa mutilação;
paguem o pedágio da covardia e VIVAM [.]
VIVA ! a pré-história da nossa escassa
insatisfação.

[gaveta]

Há tanta poesia na gaveta!
Mal vejo todas daqui
de_ luneta

Há tanta alma sutil no planeta
_que mesmo que passe um cometa_
mal comeria o fogo, a calda-caramelo
[cubo de plástico]
da nossa facêta_

Poesia doce, doce-poesia
me leve em asas translúcidas de abelha
me deite no primeiro boqueirão
e o mar do mal saberá me responder
(precisão)
por que te persigo.

beira-sangue


Minha confusão beira-sangue
beira-mar de todos os dias

de uma dúvida prontinha
que sempre aporta por aqui.

beira do Brasil,
oceanos te lançam a outras cercanias

cintura do equador e ao espaço adjacente, circundante
Não te troco nem por mar, nem morte
nem pela vida, que me afogue.









Seu Vitor e Tiago Máci.

domingo, 10 de março de 2013

Bicho de Cú

as palavras
pequenos dardos
talvez inflamados
voam com sede
ao poTe de querosene
BUNG, BENG, BANG
o caldo inflamado irrompe
e logo não há mais paredes de barro
pasmem-se! pasmem-se!
eu dormia, eu sonhava
não há fogo, não há brasa
era só um estirão imóvel
incógne
incógne
luxuriosos, porém, sem carne
só eu de vivo, eu de morto
de assombro, conservo um estômago
que ainda dói
que ainda vivo
tem fome, e não pode comer
ah, meu espírito de abundância
não se esquece desse deserto
a que me trouxe Moisés, e não só Moisés
como os 40 ladrões e os 300 de Gideão
e o dilúvio e o anticristo, e o próprio cristo anti-humano
anti-gente
ah, meu instinto
meu sol,
meu luar, meu calabouço
até meu mau supera tamanha cristantade
puta sociedade, aldeia de tolos
campos tão ávidos de chuva ou
nada que venha do céu e sim do gozo telúrico
encantamento de água, de mato
de assopro lambendo os ouvidos
de um homem com seus pruridos e seus
roçamentos de BICHO
DE CÚ.

sábado, 2 de março de 2013

Assepsia

um banho - um mudar de vida
a assepsia encerra a cada 6 ou 48h
um ciclo de renovação
(ainda mais pra ti, Moesto
que magoa - passa
que maguapassa
"convalesce - estiola")
Só por nada
Só porque é bom
imprimir no banho
uma nova canção
um novo rubor de face e de corpos
lavados
(infeliz imersão
grata e jubilosa no Itapecuru dúctil
do chuveiro)
Se há - eu louvo
o deus do Maranhão

"Homem-Cibuí"

Devo aqui demonstrar o (meu) poder.
Haverá palco para as pequenas potências ?
(Eu) escrevo em um blog gratuito
(Meu) pai paga as minhas contas.
E (meu) poder não vale o que (eu) sobrevivo.


ou no horizonte não tátil e áspero - o que é paradoxo -
dos sentidos (eu) colonizei uma selva, (eu) plantei uma semente ?
Há pergunta dentro da pergunta ?
(Minha) mente faz perguntas dentro das perguntas e isso anula minhas respostas
então, (eu) só escrevo.

(  ) passava a limpo um texto pronto, mas agora (  ) escrevo - foda-se.
travessão dentro do travessão e a verdade será simultânea ?
Existe em si e só em si, e é, enquanto o "não é" não é ?
São perguntas, no entanto, o que hoje (  ) sinto é que

(Eu) trouxe um bocado de vida por trás da vidraça da percepção
ao fundo dessas ruas, desses pequenos ou mega cosmos de informação
(eu) nado no orifício fundo do ácido
(meu) corpo vaga carreado entre ladeiras de chão e eu de ferro
(eu) de engenho maluco de cientista doido observo que (minha) existência
tornou-se arte e impura da observância
(meu) estrangular da voz
(meu) fóssil oxiúro e high técnico
que mora no ouvido
( eu ) cabra cega gado magro sem pasto
"sem tetas" e "imundo"
homem-cibuí.





T054


tanto tempo de cabeça baixa no T054 me querem vomitar
estou no império do meio-amargo da minha doce condição de fidalgo
do tempo que cada hora me engole a razão
estou saindo de circulação, mas o T054 não baixou
nem minha engrenagem arriou
estou passando o tempo e sou passado
sou também a parada que esse busão do mundo espera.
T054