as palavras
pequenos dardos
talvez inflamados
voam com sede
ao poTe de querosene
BUNG, BENG, BANG
o caldo inflamado irrompe
e logo não há mais paredes de barro
pasmem-se! pasmem-se!
eu dormia, eu sonhava
não há fogo, não há brasa
era só um estirão imóvel
incógne
incógne
luxuriosos, porém, sem carne
só eu de vivo, eu de morto
de assombro, conservo um estômago
que ainda dói
que ainda vivo
tem fome, e não pode comer
ah, meu espírito de abundância
não se esquece desse deserto
a que me trouxe Moisés, e não só Moisés
como os 40 ladrões e os 300 de Gideão
e o dilúvio e o anticristo, e o próprio cristo anti-humano
anti-gente
ah, meu instinto
meu sol,
meu luar, meu calabouço
até meu mau supera tamanha cristantade
puta sociedade, aldeia de tolos
campos tão ávidos de chuva ou
nada que venha do céu e sim do gozo telúrico
encantamento de água, de mato
de assopro lambendo os ouvidos
de um homem com seus pruridos e seus
roçamentos de BICHO
DE CÚ.
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