O que me dói é te sentir no cerne onde te descubro tão provisória.
Racha-me o peito, senhora, projetar-te num quadro tão transmutado, imenso das várias deusas que és - Oyá, a sacerdotisa de Milo, a Orubarana dos lençois. Minha afogueada Calipso, não me tire o norte, só me traga a sorte de ser também mil desses deuses contigo.
"Moesta et errabunda", triste e errática, assim disse Baudelaire sobre a vida. E como o humor é a face risonha da liberdade, sempre haverá tolos por aqui para vulgarizar a fala do poeta. Por isso, sou (eu que nunca sou, mesmo que me faça por algum tempo) "Moesto, o etê errabundo", figura grotesca que desaba, pende do chão a que não se amarra; mergulha no seu poço de melancolia, inconstância,covardia e autoboicote.
domingo, 28 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
antes as coisas davam um nó ao meu redor
hoje de repente o nó foi para dentro
e fundo me mostra as minúcias do que eu sou
e deixo de ser por esse mesmo defectível
que me amarrou, atou meus pés por anos.
Hoje vejo que a solidão e a desgraça não me foram
mais que prelúdio, a que me agarro e persigo, pois também a noite, a sombra
me levam a um entendimento claro de mim só.
sábado, 13 de abril de 2013
Fecho os olhos e a única imagem - minha mente acode -
é teu rosto ao meu,
Tua testa sovando o meu nariz e teu sorriso oblíquo-sinuoso
demostrando tua timidez colada ao meu queixo.
Desvio o cigarro, te colho da terra - fruta que és - e
tomo teu corpo apaixonadamente por inteiro.
Então logo "desperto" e sentimental - eu que há tempos não era
nem um nem outro - vejo que nada foi mais que um delírio,
uma invenção de amor do meu peito menino,
Não sabe sequer
querer-te objetivamente, alcançar-te em beijos doces e cálidos, que
valessem o amargo da minha desgraça."
é teu rosto ao meu,
Tua testa sovando o meu nariz e teu sorriso oblíquo-sinuoso
demostrando tua timidez colada ao meu queixo.
Desvio o cigarro, te colho da terra - fruta que és - e
tomo teu corpo apaixonadamente por inteiro.
Então logo "desperto" e sentimental - eu que há tempos não era
nem um nem outro - vejo que nada foi mais que um delírio,
uma invenção de amor do meu peito menino,
Não sabe sequer
querer-te objetivamente, alcançar-te em beijos doces e cálidos, que
valessem o amargo da minha desgraça."
Ad Vento
Sento no morro de onde vejo a tempestade se aproximar à essas "arrudiações"...cinzentas, natalinas e acadêmicas do "solar ilustrado" do Maranhão...sentindo o mar de longe, nem sabendo quantas daquelas procelas ao infinito da perda, da dor concreta do arborecer germinal de um filho pacato do solo me faltam à vida. Dai a conclusão nada calculada, mas sim experimentada, de que viver, então, seja este perene naufrágio nessas águas que nos levam a nós mesmos.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Vênus ! Cadê minha Vênus ?
Para que o cheiro da flor das laranjeiras do jardim de minha mãe
não seja igual;
Para que as flores do caminho não passem por mim sem serem percebidas;
Para que a pedras incontáveis dessa piçarra miserável - nosso chão
precário - sejam os beijos infindos que levo indo por eles mesmos
carreado;
Para que a lua, o céu, o sal, o sol...e todas essas outras bobagens não me soem piequices;
(Pra) que eu veja verdade no amor, sentindo que o tempo da solidão se foi...
e me deixou a sós contigo, minha Vênus no céu e no peito.
Pereço nessa manhã louco por ver teu corpo vívido e hidratado
caminhando linda como os frutos férteis e as verduras
nos capinzais. Talvez, os lábios não permitam que eu te queira assim, ao que eu me obrigo a dizer-te apenas "flor". Mas sei que és fruta, serena e macia como tua pele que me fere o olho antes mesmo que a toque. E todo meu sentimento resume-se a desejo e posse da tua presença e afeição. Ah, meu amor, como pudestes em poucos dias tornar-te aos meus olhos tão pura e indefectível ? Só os tolos dirão que isto é paixão.
caminhando linda como os frutos férteis e as verduras
nos capinzais. Talvez, os lábios não permitam que eu te queira assim, ao que eu me obrigo a dizer-te apenas "flor". Mas sei que és fruta, serena e macia como tua pele que me fere o olho antes mesmo que a toque. E todo meu sentimento resume-se a desejo e posse da tua presença e afeição. Ah, meu amor, como pudestes em poucos dias tornar-te aos meus olhos tão pura e indefectível ? Só os tolos dirão que isto é paixão.
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