segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Seda Primordial

O sabor da palavra gosto da manga atual
ainda verde apanhada na estação primeira
no tempo - sem tempo - postergado
do sabor verdadeiro, pitoresco
da fantasia imatura
tenra e reduzida infância, musa juvenil
que dantes, muito dantes
em hábito cego e normal
cozia e desfazia
cozia e desfazia
costurava iletrada, analfabeta
a seda primordial
face dupla da metáfora.
Dichava ao bel sabor
cada grama de rima e
prensada métrica
matemática, metronímica, compasada.
víamos, contemporâneos, colegas, companheiros
o todo rítmico
universo cada vez mais rarefeito
encarado de peito
por nossa poética da ignorância
ou ausência de sentidos.
E os velhos com isso ? Nem tão velhos assim

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

síndrome ou mal conjugado

testemunho com meus olhos calmos -
porém, pasmos - a torpeza dos açoites
mas, apesar de ser coletor dos punchs desse meu
destino desdichado, nesses ligeiros minutos
que atropelaram o instante da derrota
não me deixei chocar...
enquanto...o nó na garganta -
enforcamento -
estrangula a raiz submersa da vontade
renegada, irrealizada.
enquanto...o soco na carne do rosto palpita
geme, pigarreia, grunhe.
enquanto...a língua trava
enquanto...o corpo treme
enquanto...as mão solidárias,
de nervos cordados cada vez mais doentes
pareciam avisar-mi maior do destino
desdichado...premente.

(nenhuma dentro, Moesto
então, nosso jeito é por para fora)

enquanto...o mal que te assombra
te fode.
enquanto...todas as minhas más sortes
todas elassimultâneas e paralelas
dançam juntas no coreto
enquanto...eu as mal posso interpelar.
enquanto...um exercito passa
por enquanto...eu nunca aprendi a marchar.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Andar, moesto, andar
andar a esmo
sem no cerne da consciência
algo a pensar
só lamentações
escárnio de si mesmo
e não entender
e não ser
o que se quer.
Ser só insatisfação
e o reflexo
imagem dele
nesse teu corpo inchado
e flácido
essa tua espessura
que parece mais um andor
um ataúde grotesco e imbecil
vocabular
por não ter o que falar ?
e fala
Eu realmente não gosto do que vejo
daqui dessa carteira, erguida por um andar
e meio de concreto e mais uma imbecilidade de informação
sem propósito no texto que se propôs a ser brilhante
em pleno bloco c, cidade universitária
e alguém te perguntou ?
lembro da tua caminhada.ridículo.
caminha, moesto, caminhar
a esmo
e tu não chega
o movimento não te tira a paralisia
o mundo está parado e nem aquela
lágrima pendida e engolida pela vergonha
cai mais
pois já não faz sentido, nem medo
e a tua amargura passou
não recordo o que me sucedeu
já não sei por que tão triste
em punho riste o lápis rasga o
papel, mas não sabe o que escreve, apenas anda
anda, moesto, anda
caminha pelas fibras, rompe-as
a esmo.

Morro


Eu morro, porra !
Afinal, estou vivo
Já estes dois palmos
que não vês
a frente do teu nariz
te condenam (à vida)
- faça esta observância
entreparentesiada -
Eu morro, porque vejo
eu esfacelo, choro
eu nem estou aqui
Não por acaso sou Moesto
E como se não fosse
Ainda tenho que aguentar
Acusações, provocações.
O que tem demais se aqui escrevo
prosa em forma de poesia ?
Isso é só a prosa, leviana,
travestida de poesia.
(e ainda há quem não perceba o falo)
Mas, tudo bem, não vou sustentar ignomínia
inexistente.
Não há e some
como os vapores
da não insigne existência
de quem me fere.




Prefácio a Jonatas Barbosa

Que maravilha, Deus !
How great thou art.
Por em nosso meio
Na galaxia central
Travessa estelar com o Reviver
Num cantinho do João de Deus
sujeito tão ator,
Face respeitável desses nossos nutridos
destruídos e corrompidos ideais.
How great thou art !

Morro, Jonatas
e não chego nem nas tuas beiradas
Ah, que me sobrassem ao menos as beiradas
Mas o que significam saber as beiradas ?
Margens, Jonatas
Margens magentas
Cor de rosa e Púrpura de realeza
Cores de nobiliarquia
que de longe me visto,
reles, dos teus reflexos.
reles de tamanho
e susto, assombro, surto
arroubo
tamanha tua nobreza.
How great thou art !

para que isto não pareça um salmo
à nossa descendência imaginem coisas
venho nessa metade final da ode me explicar
Afinal, nem me quis aqui tão pomposo,
mas talvez me reste o pieguismo, o bufonismo dessa loa
e me  aquiete ao meu papel de cego amante
e súdito da arte
e da poesia, por isso (dois pontos):

Tu és - evitando o barbarismo de chulas expressões denotativas de coito -
Foda, Jonatas Barbosa.
Ou melhor, desculpa !
Bravo, bravíssimo !
Sensacional, sem igual
e sem - é claro -
nenhuma rima com pau.
salvo todo resto acima,
isso é mais do que claro.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Rolinha só não faz verão


No meu lugar o tempo nunca esfria
Quando muito úmido ele fica molhado
Ou na dúvida entre precipitação e estiagem
Mormaçado
Mas nunca frio.
Assim perdida e louca nessas tão poucas opções
Minha puta ornada e divinizada por tantos cornos
(ou) me faz soar (ou) ela mesmo se fica 
molhadinha.
Então, do que espero e como, precocemente
avanço e concluo (dois pontos):
Nas de abertas pernas ao mar
Terras do Maranhão
Imagine só...
Uma ilha encharcada e cheia de tupinambás por todos os lados
e nenhum é "antropófago"?
Uma enorme transa, meu deus !
Uma periquita - ele respondeu -
sai do continente
E molhada
E ardente
E pronta para dar
Nunca deu a mais do que pode.
E no mais da verdade
nunca deu

Porque ninguém comeu...
Porque ninguém comeu ?
Ninguém comeu ?
[...]
só eu.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Beatus Corpus in Carnavalis


não fui nada nem desconfiança esses anos todos
e além do mais em severo stop nos mesmos anus
olhei
acima sem ter expectativa nenhuma
respondida.
           então sentei aqui
           um nada
este nada.
           que tal
           este baluarte
           este membro rijo ?
sentei ele aqui no blogue
           (in)falsa lida
           (um) falo erguido
           gozo tardio e
           insabido de si mesmo duro
se fiz, fiz sem sabê-lo !
cresci sem tê-lo!
Não julque nunca
o meu cabelo
           urdi tudo inquieto
           no meu desespero
           em Santa Paz e Medo
           - Espera ! Paz e Desespero ?
           algo errado aí, mas não importa, nada importa -
           tive que pari-lo
           afinal, Beatus Corpus Morritur Virgines de Literatum
           e até o papa renunciou esta semana devido a total falta de sentido.

Poesia Calada

O muito que sinto
é o muito que tenho a falar
Sentir não é dizer
e o muito que se sente
é o pouco que sem tem para dar

Dor no peito é calada
é matéria
é viva

é palavra/pomba
pronta para alçar

Voo,
Sinto calado
o muito que sei,
mas o muito que sinto
é vetado
pelo pouco talento que herdei.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Virtude mutante
Multidisciplinaridade do meu ser
Arte de ser o que há pouco não será mais
E nem mesmo recordar o que era dantes
Tomar para si o mundo
Experimentá-lo em todas as suas nuances
E ver além
Esperando o que de melhor me espera
Naquela visão embaçada
Pelos vapores da próxima estação

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tacanha


Lavar os pés,
Escovar os dentes
Pôr-se na horizontal -

Tornar-se travessão no meio do mundo
- corpo sem reservas -
Gastas pelo mesmo dia
Que daqui a horas
Desprega, quando no horizonte replica:

“Põe-te na vertical”.

A vida, nem um ato, nem um plano
A cada vinte e quatro horas
Uma ordem direcional
Arbitrária e sem sentido:

Lavar os pés
Escovar os dentes.

Ereção O(ra)cular

Contenção do movimento
paralisia para fruição exata
da beleza
da beleza ou escrotice de cada um.
de cada uma coisa por vez
a cada hora que chega
que passa

passou !

O mundo se vai enraivecidamente
numa frequência
de duas janelas por segundo,
o que me restando um nada
um ônibus !
corre arrastando visões
irriquietas,  caminhantes
falsárias de uma projeção
perdida, perdida
sem zero contemplação

Um para quê me resta.
Para pormos culpa ao olho ?

Ora, que mais injusto que isto:
por culpa a genital tão distinto do corpo, o olho
Que nos permite a nós gozarmos sem fricção ?
Culpada e ingrata é a imagem
rebelada em nossos dias
com tanta profusão,
enquanto pobre olho
à volúpia seu corpo sentenciado,
de velas orbitado
de mover sinuoso,
incessante.
de tempo vibrante
de templo brilhante de luz

Oh, que luz ?
Oh, Queluz ! porque esquece ao olho
e põe-te a vista  sombreada de ideias e imagens
nauseantes, em eterno trânsito ?
Roça
Roça
e não há que nos ponha de pé.

desse jeito não há como o ponha de pé, o olho
Até que pare enfim no sono
Até que em fino sonho pare
e vislumbre
a estética/estática fumaça daquele churrasquinho
A condensada ansiedade, parada de ônibus

Meus olhos gozaram.
Gritei:
Pare agora, visão vagabunda. Pode parir !


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

7:24

Eu passei da hora, mãe.
Perdi o tempo.
Passei um pouco dos anos
E meu século em oito passos me deixou pra trás.

Ora, é claro - penso que ela sabiamente me indague -
para um nascido em 92,
é nítido esse rastro do bom novecento,
Tempo em que não estávamos passados,
ou pelo menos iludidos que não.


Antes que mau com U e com L
 me julguem pelo anacronismo, que o eu lírico prossiga.


Passei da hora.
E cheguei tarde, tia
Bença, vó !

Não adianta, ele continua aqui.

Acordei 7:24
aos lances de briga
de briga e de baldes a voar.
o que talvez não debalde.

Depois de um banho de chuveiro -
no dia em que escapo do balde -
a retardatária saída.
Novamente meu ir diário pro mundo
Molhado, despenteado, desdichado.
como "un bardo que el destino lo maltrata duramente"

Desdichado e - recorde - sempre digressivo.
Pois tudo isso digressões...digressões !
Pudessem elas me fazerem menos atrasado
Pudesse eu acreditar em atraso
Se o que tenho é a hora a certa,
O TEMPO.








sábado, 2 de fevereiro de 2013

J.B

Que ser absurdo ! Que ser absurdo !
Uma verve ontológica do caos !!!
ah, tirem-no ! atirem-no!
Desejo concreto, ideia límpida
Pensamento ser
esquálido
do que seria essa vida.
Tão prático não seria então morrê-la ?
Ah, tirem-no ! Atirem-no !
Entre tantos muitos personagens ensejo
um eu que só é a mim mesmo
Um "Meu EU", ou, "Eu MEU"
Tirem de MIM !
Lição de enorme contista
que enormemente bêbado seria mais claro que EU,
obscuro e sóbrio, poetas do meu tempo.