terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

7:24

Eu passei da hora, mãe.
Perdi o tempo.
Passei um pouco dos anos
E meu século em oito passos me deixou pra trás.

Ora, é claro - penso que ela sabiamente me indague -
para um nascido em 92,
é nítido esse rastro do bom novecento,
Tempo em que não estávamos passados,
ou pelo menos iludidos que não.


Antes que mau com U e com L
 me julguem pelo anacronismo, que o eu lírico prossiga.


Passei da hora.
E cheguei tarde, tia
Bença, vó !

Não adianta, ele continua aqui.

Acordei 7:24
aos lances de briga
de briga e de baldes a voar.
o que talvez não debalde.

Depois de um banho de chuveiro -
no dia em que escapo do balde -
a retardatária saída.
Novamente meu ir diário pro mundo
Molhado, despenteado, desdichado.
como "un bardo que el destino lo maltrata duramente"

Desdichado e - recorde - sempre digressivo.
Pois tudo isso digressões...digressões !
Pudessem elas me fazerem menos atrasado
Pudesse eu acreditar em atraso
Se o que tenho é a hora a certa,
O TEMPO.








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