"Moesta et errabunda", triste e errática, assim disse Baudelaire sobre a vida. E como o humor é a face risonha da liberdade, sempre haverá tolos por aqui para vulgarizar a fala do poeta. Por isso, sou (eu que nunca sou, mesmo que me faça por algum tempo) "Moesto, o etê errabundo", figura grotesca que desaba, pende do chão a que não se amarra; mergulha no seu poço de melancolia, inconstância,covardia e autoboicote.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Tacanha
Lavar os pés,
Escovar os dentes
Pôr-se na horizontal -
Tornar-se travessão no meio do mundo
- corpo sem reservas -
Gastas pelo mesmo dia
Que daqui a horas
Desprega, quando no horizonte replica:
“Põe-te na vertical”.
A vida, nem um ato, nem um plano
A cada vinte e quatro horas
Uma ordem direcional
Arbitrária e sem sentido:
Lavar os pés
Escovar os dentes.
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