Contenção do movimento
paralisia para fruição exata
da beleza
da beleza ou escrotice de cada um.
de cada uma coisa por vez
a cada hora que chega
que passa
passou !
O mundo se vai enraivecidamente
numa frequência
de duas janelas por segundo,
o que me restando um nada
um ônibus !
corre arrastando visões
irriquietas, caminhantes
falsárias de uma projeção
perdida, perdida
sem zero contemplação
Um para quê me resta.
Para pormos culpa ao olho ?
Ora, que mais injusto que isto:
por culpa a genital tão distinto do corpo, o olho
Que nos permite a nós gozarmos sem fricção ?
Culpada e ingrata é a imagem
rebelada em nossos dias
com tanta profusão,
enquanto pobre olho
à volúpia seu corpo sentenciado,
de velas orbitado
de mover sinuoso,
incessante.
de tempo vibrante
de templo brilhante de luz
Oh, que luz ?
Oh, Queluz ! porque esquece ao olho
e põe-te a vista sombreada de ideias e imagens
nauseantes, em eterno trânsito ?
Roça
Roça
e não há que nos ponha de pé.
desse jeito não há como o ponha de pé, o olho
Até que pare enfim no sono
Até que em fino sonho pare
e vislumbre
a estética/estática fumaça daquele churrasquinho
A condensada ansiedade, parada de ônibus
Meus olhos gozaram.
Gritei:
Pare agora, visão vagabunda. Pode parir !
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