não gostaria de culpar o sol
Há tanta expiação entre sol, álcool, ascendente
e escandalização do próprio homem...
culpo-te aqui, sol
porque insistes e entremeias casa que não é tua
nesse movimento
que só falto pedir misericórdia
não se existisse nesse mapa
é dor demais em lua
em casa primeira é tudo que aponta ao inferno
aponta e guia
em direção oposta
para trás que só caminha
mais que caranguejo.
"Moesta et errabunda", triste e errática, assim disse Baudelaire sobre a vida. E como o humor é a face risonha da liberdade, sempre haverá tolos por aqui para vulgarizar a fala do poeta. Por isso, sou (eu que nunca sou, mesmo que me faça por algum tempo) "Moesto, o etê errabundo", figura grotesca que desaba, pende do chão a que não se amarra; mergulha no seu poço de melancolia, inconstância,covardia e autoboicote.
domingo, 30 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Rodagem
Amanheço um dia plácido
Quente como o São destas cercanias
E sou
irresponsavelmente
o que tenho para fazer.
Vou atrasado
Aviltado pela viagem, pela cidade
Poeta e pensamento
Vou querendo ser rei
ser rasta, ser fadista
fodista e tantas mais
Tantos mais que sigo
que importa que sigo
caminho adiante
Agnóstico até de quem calca
Os dedos encrava
Nessas diminutas
Se enxergando
Em qualquer reflexo burro
De Narciso
Inglório de sua face
E na chegada descobrindo
que o peso dos dias:
a pena que se passa
Onde se passam
todas as virações
de mar, de bem
Ou nau
de um tão perto
Equador
Quente como o São destas cercanias
E sou
irresponsavelmente
o que tenho para fazer.
Vou atrasado
Aviltado pela viagem, pela cidade
Poeta e pensamento
Vou querendo ser rei
ser rasta, ser fadista
fodista e tantas mais
Tantos mais que sigo
que importa que sigo
caminho adiante
Agnóstico até de quem calca
Os dedos encrava
Nessas diminutas
Se enxergando
Em qualquer reflexo burro
De Narciso
Inglório de sua face
E na chegada descobrindo
que o peso dos dias:
a pena que se passa
Onde se passam
todas as virações
de mar, de bem
Ou nau
de um tão perto
Equador
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Lágrimas para Glória
Morro sem saber [...]
vivo querendo matar
esse desdém que há de minha Glória.
Tão linda, Glória...e tão...
tão mentira, tão falaz - como são as coisas "do amor".
"Tu és" - apelando à autoridade de Pixinguinha
Com a voz de Marisa, assim sendo MAIS Glória -
Meu arranjo, meu bibelô de anjo.
ahhhhhhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, anjo meu
belo e tão frígido, tão fúnebre - não há que melhor ou que eu possa que expresse:
Meu amor,
nem as traças te querem mais, nem depois.
nem os bêbados te foder...já que amar não significa nem aos ébrios,
aos românticos (?) -
não cabe, nunca coube nessas animalices hipotalâmicas.
E é bom, Glória, que não te fodam
porque será só minha,
De mim que sonho poder tê-la só
Se só também pudesses ser
Glória
[...]
E não és.
vivo querendo matar
esse desdém que há de minha Glória.
Tão linda, Glória...e tão...
tão mentira, tão falaz - como são as coisas "do amor".
"Tu és" - apelando à autoridade de Pixinguinha
Com a voz de Marisa, assim sendo MAIS Glória -
Meu arranjo, meu bibelô de anjo.
ahhhhhhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, anjo meu
belo e tão frígido, tão fúnebre - não há que melhor ou que eu possa que expresse:
Meu amor,
nem as traças te querem mais, nem depois.
nem os bêbados te foder...já que amar não significa nem aos ébrios,
aos românticos (?) -
não cabe, nunca coube nessas animalices hipotalâmicas.
E é bom, Glória, que não te fodam
porque será só minha,
De mim que sonho poder tê-la só
Se só também pudesses ser
Glória
[...]
E não és.
sábado, 22 de dezembro de 2012
Louvação em tristésima tonal
Grande bossa, nossa aposta;
zelo sem cuidado, coração,
nossa escrotinela ritual:
Louvar-te em tristésima tonal, aos
nossa escrotinela ritual:
Louvar-te em tristésima tonal, aos
sons absurdos do Medo e do Cajual.
De signos etéreos cravados na lama;
Vulneração do homem,
Encontro com deus...
De mim a apenas milênios de meio segundo
"sem estar"
"sem estar"
Casa de palha, cheiro de barro;
sem " Ide, amém !"
sem partir mia'nau.
sem partir mia'nau.
Zero Arcon
Mormaço: transe parcial;
Pérola irregular
De um barroco que é um causo
E um caos desse setor
De Brasil perto a ser fera
A ser selva inexorável, infalível.
Bagaço: eu sou todo cansaço,
Mas não de abano,
De meus impudores diversos
Invocados por este embaçamento
Vertiginoso, dosal,
Estado de quase inverno
Onde não há....
Se o resfriamento aqui é um amigo secreto;
Uma lembrancinha de dezembro
conquistada a custo de bom desempenho
Nesta imensa escola municipal:
Canteiro em obras,
ZERO ARCON,
E nada a fazer melhor pensar.
Pérola irregular
De um barroco que é um causo
E um caos desse setor
De Brasil perto a ser fera
A ser selva inexorável, infalível.
Bagaço: eu sou todo cansaço,
Mas não de abano,
De meus impudores diversos
Invocados por este embaçamento
Vertiginoso, dosal,
Estado de quase inverno
Onde não há....
Se o resfriamento aqui é um amigo secreto;
Uma lembrancinha de dezembro
conquistada a custo de bom desempenho
Nesta imensa escola municipal:
Canteiro em obras,
ZERO ARCON,
E nada a fazer melhor pensar.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Velha Hora da Fumaça
Extraordinário é o novo, o trivial é metrônomo -
VHF de menino, mediocridade costumaz;
Bate-volta, tic-tac, dá-se corda e não é hora...é tarde.
Rebobina e a cada "denovo",
Um "bog" na cara tenra do rapaz.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Fiz-me apocalíptico ser dos teus sonhos.
Do teu estômago e de ti
(à volúpia posta a cumê, você).
Fiz balbúrdia, chacota longe aos teus ouvidos
E me fiz,
Nos meus delírios, homem da terra.
De vida nada simples - como se imagina -,
Mas em toda via fruitiva, altiva e real.
Isto tudo para que lhe confesso
Que não sou daqui, devota.
Que não vim daqui e para lá vou.
Vou para Aruanda ascender do ocaso
Do destino, desejo infigurado.
Ir pro esmo, Peloponeso.
Forasteiro, onde uno non sun,
Onde Poderoso ser apocalíptico do teu sonho eu sou,
Enquanto tu...
na perturbadora noite insone,nem ao menos sonhaste,
Pois que não viste a ti, nem a mim.
Como eu, como és ou como fomos.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Mar Original
Não há terra a homem morno
E o mar ! O mar
Muito menos aceita a suspeição da covardia
Não sou teu, mar.
Nem que por vezes inflame,
Não sou para as tuas procelas.
Não sou o Pérola em teu encalço.
.
.
.
Ah, quantas vezes o mar ?
Nada que sina de moço virgem,
Carente do jorro na cara
Banzeiro forte
Na Boca do Pecoapara
Ejaculação de Netuno,
Asseio de Vênus no oceano do seu nascedouro.
E o mar ! O mar
Muito menos aceita a suspeição da covardia
Não sou teu, mar.
Nem que por vezes inflame,
Não sou para as tuas procelas.
Não sou o Pérola em teu encalço.
.
.
.
Ah, quantas vezes o mar ?
Nada que sina de moço virgem,
Carente do jorro na cara
Banzeiro forte
Na Boca do Pecoapara
Ejaculação de Netuno,
Asseio de Vênus no oceano do seu nascedouro.
Praia Grande, não estou aqui.
Descendo os Amores o sono me despertou.
Sono confuso e relutante de máquina;
Sesta para quem não há mais um sobressalto de cidade, de modernidade.
Praia Grande, não estou aqui.
Salto, vejo o mar.
Nosso beijo matinal, sempre um espasmo -
Luz, água, barco, grade.
Dois, três segundos, Praia Grande.
Dou as costas à tua boca
E me pareces, hoje, mais silenciosa.
Mais cândida, tu que és de apito, descarga,
De frêmitos, ambulantes, cada um por si.
Poucos falam, uns só fumam,
Não há jornaleiro.
Estou mesmo aqui ?
Teu amante partiu tarde ou estás mais serena?
Como se me não me tivesse aqui, Praia Grande.
Cansa-me indagar-te.
Vila Nova,
Nosso bocejo matinal.
Sono confuso e relutante de máquina;
Sesta para quem não há mais um sobressalto de cidade, de modernidade.
Praia Grande, não estou aqui.
Salto, vejo o mar.
Nosso beijo matinal, sempre um espasmo -
Luz, água, barco, grade.
Dois, três segundos, Praia Grande.
Dou as costas à tua boca
E me pareces, hoje, mais silenciosa.
Mais cândida, tu que és de apito, descarga,
De frêmitos, ambulantes, cada um por si.
Poucos falam, uns só fumam,
Não há jornaleiro.
Estou mesmo aqui ?
Teu amante partiu tarde ou estás mais serena?
Como se me não me tivesse aqui, Praia Grande.
Cansa-me indagar-te.
Vila Nova,
Nosso bocejo matinal.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
"Singular, como o "um", que são todos, no entanto...!"
...
No escuro abalado apenas pelo som
De objeto menos nostálgico que vitrola -
Diria o vintage -
E tão menos demolidor que radiola -
Diria o soundsystem man,
A voz do poeta sujo:
"Os homens são iguais em direitos, não em qualidades".
Fanho e já velhaco Gullar reverbera
E parece que cospe, não sei !
Se aproxima aos clássicos
Tão mais velhacos - eu sei -
Que qualquer quachar moderno.
Voa, penetra, aflige...
E no que mesmo pensava?
Creio que em poder dizer-te
Liso de pesos,
De martelos autocráticos,
Sem aspas _ fecha_travessão_sujeito...
Singular,
Dádiva ao plural!
domingo, 2 de dezembro de 2012
Verso do ressentido homem que não tinha fé na fronte.
Jamais tive fé na cara.
Em minhas tralhas olhos, boca, nariz, bochechas
Mas nunca fé.
...que jamais (tu,vós) puseste(s).
Jamais transpareci sujeito de qualquer apreço...
do tipo énergico...admirável...sagaz.
Sempre fui homem de pena, ressentimento
E nada mais.
O olhar taciturno, a cara rota,
pouquíssimo simpático.
Talvez, um enigma:
O que esperar de indivíduo tão fora do senso,
Tão raso, tão nada ?
Ah, senhores, não sei que vêem.
Não sei que vêem, SENHORES !
Nem como tratas agradas.
Vós que sois lixo, então !
Deveria eu ser lixo como vós -
alternativa prática,
ao menos lógica.
Só não a vejo !
Ah, porque lixo ?
Ah, porque lixo,
Se não sois a extra-valia,
Pois sois o próprio valor;
O sol de que entorna o mundo:
Peripício, principício, precipício ?
Ah, que não sei, homem !
Só sei que sou
Sou e estou, e não mais o vejo
E onde foram ?
...DESCANSO (EU) ASCÉTICO E CONTEMPLATIVO...
Não sou isto que vêem (eles).
que quase não vêem a si.
Se vissem - eles vissem -
Ah, pena, não teríeis (voz, terias tu)
de mim.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Eu/Eu
Abre e fecha a cortina
Entra e sai da vagina
...
Com a mesma praticidade
Se confundem em mim dois membros,
Dois homens:
Um empolgasse com a alegria orgástica da façanha.
O outro recai em medo - de um tipo "horror movie";
não contempla meu "eu" ficcional.
Ah, esta "ambistinência".
Um dia apunhalo-me.
Apanho uma peixeira e...
TROTSKY!
Faço-me / em dois.
Entra e sai da vagina
...
Com a mesma praticidade
Se confundem em mim dois membros,
Dois homens:
Um empolgasse com a alegria orgástica da façanha.
O outro recai em medo - de um tipo "horror movie";
não contempla meu "eu" ficcional.
Ah, esta "ambistinência".
Um dia apunhalo-me.
Apanho uma peixeira e...
TROTSKY!
Faço-me / em dois.
Belo, fogo agônico.
De deus o gozo
De Satã a navalha
Veneno em flecha de índio
No teu corpo me espalha
De Satã a navalha
Veneno em flecha de índio
No teu corpo me espalha
Me espanta e senta
Me tortura e deita
No teu recanto febril
Leito de várzea
Me tortura e deita
No teu recanto febril
Leito de várzea
beleza que és -
Fortaleza de vidro,
Mansão precária -
insulto:
É breve e voraz
é fogo de palha
Fortaleza de vidro,
Mansão precária -
insulto:
É breve e voraz
é fogo de palha
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Sem Fado
Safar-se: arte milenar
(teckné, diria o grego)
Mas na verdade:
- sem adentrar nos nus e nos crus -
Competência, habilidade vigiada do safado
Aquele que se safa - trocando em miúdos metalinguísticos de dinossauro.
Dois pontos:
Antropofágico homem, auto comilão de mão cheia;
Mão que viola, boicota a própria integridade.
(teckné, diria o grego)
Mas na verdade:
- sem adentrar nos nus e nos crus -
Competência, habilidade vigiada do safado
Aquele que se safa - trocando em miúdos metalinguísticos de dinossauro.
Dois pontos:
Antropofágico homem, auto comilão de mão cheia;
Mão que viola, boicota a própria integridade.
Porém, não !
Não o que vos fala, homens de cara e de endereço -
Paradoxal não ? Este que possui casa viver na rua ? -
Não valha-se, razoável é trouxa !
Esses homens não são de silogismos,
São de despautérios, escárnio a quem arregar.
Homens de questionável nobreza e lastimável lustro,
Mas que trazem no bojo expertise de São Salvador A Si.
Ele amou o álcool, deflorou a virgem,
Fez-se comedor.
(E daí, Seu Não Comi Ninguém ?)
Safado faz pilhéria do fogo, interpela magia
Hadouken !
Goza no causo bem contado
E o perigo não só adestra como monta
Sorve desde o primeiro tom em róseo de Iansã
Até o último arrastamento da capa-general de Ogum.
Lança-se na vazante, volta na enchente - com os auspícios de Olorum.
Não o que vos fala, homens de cara e de endereço -
Paradoxal não ? Este que possui casa viver na rua ? -
Não valha-se, razoável é trouxa !
Esses homens não são de silogismos,
São de despautérios, escárnio a quem arregar.
Homens de questionável nobreza e lastimável lustro,
Mas que trazem no bojo expertise de São Salvador A Si.
Ele amou o álcool, deflorou a virgem,
Fez-se comedor.
(E daí, Seu Não Comi Ninguém ?)
Safado faz pilhéria do fogo, interpela magia
Hadouken !
Goza no causo bem contado
E o perigo não só adestra como monta
Sorve desde o primeiro tom em róseo de Iansã
Até o último arrastamento da capa-general de Ogum.
Lança-se na vazante, volta na enchente - com os auspícios de Olorum.
E volta !
Reborna o dia, revolve à ordem apolínea -
Isto o faz embevecer e diz:
Safei
Soca no peito do moral sobejador:
Safei
Vomita o id, fala que escapou:
Safei
E tudo sobra, demasiado, estupor -
Vede !
Tudo sobra, menos o pudor!
Reborna o dia, revolve à ordem apolínea -
Isto o faz embevecer e diz:
Safei
Soca no peito do moral sobejador:
Safei
Vomita o id, fala que escapou:
Safei
E tudo sobra, demasiado, estupor -
Vede !
Tudo sobra, menos o pudor!
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