terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sem Fado

Safar-se: arte milenar
(teckné, diria o grego)
Mas na verdade:
- sem adentrar nos nus e nos crus -
Competência, habilidade vigiada do safado
Aquele que se safa - trocando em miúdos metalinguísticos de dinossauro.

Dois pontos:
Antropofágico homem, auto comilão de mão cheia;
Mão que viola, boicota a própria integridade. 


Porém, não !
Não o que vos fala, homens de cara e de endereço -
Paradoxal não ? Este que possui casa viver na rua ? -
Não valha-se, razoável é trouxa !

Esses homens não são de silogismos,
São de despautérios, escárnio a quem arregar.
Homens de questionável nobreza e lastimável lustro,
Mas que trazem no bojo expertise de São Salvador A Si.

Ele amou o álcool, deflorou a virgem,
Fez-se comedor.

(E daí, Seu Não Comi Ninguém ?)
Safado faz pilhéria do fogo, interpela magia
Hadouken !
Goza no causo bem contado
E o perigo não só adestra como monta

Sorve desde o primeiro tom em róseo de Iansã
Até o último arrastamento da capa-general de Ogum.
Lança-se na vazante, volta na enchente - com os auspícios de Olorum.

E volta !
Reborna o dia, revolve à ordem apolínea -
Isto o faz embevecer e diz:
Safei
Soca no peito do moral sobejador:
Safei
Vomita o id, fala que escapou:
Safei
E tudo sobra, demasiado, estupor -
Vede !
Tudo sobra, menos o pudor!

Um comentário:

  1. Caralho, Seu Vitor, muito lindo!
    Obrigado. Me emocionei, brow.
    Tu deve (de dever) escrever.
    Parabéns, cara. Por falar em "cara", bem melhor do que: "Esse cara sou eu" (de um tal rei de um país chamado Araqui)

    ResponderExcluir